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15 de set. de 2018

ADVENTISTAS JÁ NÃO CANTAM MAIS HINOS

Naquela tarde, começávamos um culto na sala dos professores, com alguns de nós acomodados em um dos três sofás disponíveis, em frente à televisão, que exibia o hino escolhido. Uma professora, recém-convertida, chegou ao término da primeira estrofe e não conteve o comentário: “O pastor sempre escolhe essas músicas”. Não julguei que devesse me importar ou remoer qualquer aborrecimento diante daquela fala espontânea. Refletindo no episódio, só posso ver com naturalidade que alguns adventistas estranhem os velhos hinos, com os quais nunca conviveram.
E os hinos necessitam de convivência para serem conhecidos e, sobretudo admirados. Surgidos, em sua maioria, naqueles séculos anteriores aos meios de comunicação em massa, eram testados, publicados em coetâneas e apenas depois se popularizavam. A riqueza que trazem não se resume à sua poesia enxuta, direta e bela, ou às melodias simples que a encerram; são testemunhos vivos da fé de gerações passadas.
Ninguém publicava hinos para atender demandas comerciais ou pedidos de gravadoras. Não acho que o Sr. Spafford compôs It Is Well With My Soul (“Sou feliz com Jesus”, HA 230) pensando fazer sucesso nas igrejas inglesas, nas quais seu amigo Moody pregava sempre. Wayne Hooper mesmo testemunha que, ao compor o hino We have this hope (“Oh, que esperança”, HA 469), sentiu melodia e letra fluírem de sua mente, de forma como nunca experimentara antes. Não que os hinos sejam inspirados – apenas a Bíblia o é. Porém, imperfeitos como são, eles permanecem inspiradores e ligam nossos sentimentos ao Divino Salvador.
Impera hoje um revisionismo míope, que tenta encontrar em todo hino uma ligação com a música secular de sua própria época. Desconfio que seja uma estratégia para amparar a prática contemporânea de veicular letra religiosa com canções pops. Nesse sentido, Lutero acaba sendo a maior vítima de infâmia: sujam seu nome, acusando-o de, em nome da expansão da Reforma Protestante, adaptar música de taverna para ser cantada nas igrejas.
Como Lutero, pobre reformador, não está aqui para se defender (sorte dos detratores, porque o gênio do reformador alemão era excessivamente apimentado!), vale suscitar alguns fatos para desfazer esse desatino: dos 33 hinos atribuídos a Lutero, alguns eram composições originais, outros, adaptações do cantochão (o canto gregoriano, tradição antiga, condensada e oficializada pela Igreja Católica) e apenas um proveniente dos meios populares. Vale dizer que Lutero modificou sensivelmente a melodia conhecida, adaptando seu andamento, inclusive.
Além do “caso Lutero”, há diversos exemplos de melodias adaptadas de canções folclóricas (como o hino “Lindo País”, HA 571, que possui versões seculares e religiosas) e cívicas (“Vencendo vem Jesus”, HA 152). Dizem que, se formos excluir o que provê da música secular, poucos hinos restariam no hinário.
A tese, encomendada para justificar a simbiose atual entre música popular e letra religiosa, cai diante das seguintes considerações: (1) Em séculos passados, a variedade musical era pouca, fazendo com detalhes sutis, como andamento, harmonização e letra diferissem o sacro do secular; (2) Muitos dos hinos do hinário foram compostos por cristãos comprometidos, que, ou se dedicavam à tarefa (como Fanny Jane Crosby, Philip Paul Bliss, etc) ou provinham de acentuada experiência espiritual vivida por seu autor, sendo que eram prontamente testados e, uma vez aprovados, utilizados para fins congregacionais; (3) do ponto da filosofia musical, a mensagem da letra possui encaixe perfeito com as melodias, que reforçam a mensagem cristã e, por sua suavidade, simplicidade e solenidade transmitem valores religiosos inegáveis, havendo perdurado por diversas gerações.
Ainda assim, corremos o risco de substituir pérolas cristãs por coisa inferior, oriunda da mentalidade atual, cujo paradigma parece ser o da “obsolescência programada”: os “hinos” agora chegam em coletâneas divididas por anos, já indicando que possuem prazo de validade. O padrão? Seguir algumas fórmulas de sucesso: melodias pobres (facilmente assimiláveis e sem muita elaboração), muita repetição, modulações constantes, tonalidades altas (para o padrão congregacional, o que favorece o canto “gritado”), síncopes, dissonâncias mal resolvidas, percussão em destaque e letras que abusam de metáforas românticas ou da metalinguagem (músicas de adoração que falam sobre adoração).



Se pensarmos, há hinos contemporâneos belos e poderosos; desconfio, no entanto, que a polarização entre velho e novo é parte da apologia de alguns músicos para defender novos paradigmas. Todavia, deixemos claro: precisamos de novos compositores, que trabalhem criativamente a partir do legado, renovando o espírito dos hinos, trazendo composições novas e pertinentes, embelezando o repertório acumulado por séculos de produções inspiradoras. Renovar não é inovação descabida ou mundanismo travestido! Ou resgatamos os hinos e seu legado, ou toda uma geração de crentes ficará confinada a oferecer a Deus fogo estranho.

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Naquela tarde, começávamos um culto na sala dos professores, com alguns de nós acomodados em um dos três sofás disponíveis, em frente à televisão, que exibia o hino escolhido. Uma professora, recém-convertida, chegou ao término da primeira estrofe e não conteve o comentário: “O pastor sempre escolhe essas músicas”. Não julguei que devesse me importar ou remoer qualquer aborrecimento diante daquela fala espontânea. Refletindo no episódio, só posso ver com naturalidade que alguns adventistas estranhem os velhos hinos, com os quais nunca conviveram.
E os hinos necessitam de convivência para serem conhecidos e, sobretudo admirados. Surgidos, em sua maioria, naqueles séculos anteriores aos meios de comunicação em massa, eram testados, publicados em coetâneas e apenas depois se popularizavam. A riqueza que trazem não se resume à sua poesia enxuta, direta e bela, ou às melodias simples que a encerram; são testemunhos vivos da fé de gerações passadas.
Ninguém publicava hinos para atender demandas comerciais ou pedidos de gravadoras. Não acho que o Sr. Spafford compôs It Is Well With My Soul (“Sou feliz com Jesus”, HA 230) pensando fazer sucesso nas igrejas inglesas, nas quais seu amigo Moody pregava sempre. Wayne Hooper mesmo testemunha que, ao compor o hino We have this hope (“Oh, que esperança”, HA 469), sentiu melodia e letra fluírem de sua mente, de forma como nunca experimentara antes. Não que os hinos sejam inspirados – apenas a Bíblia o é. Porém, imperfeitos como são, eles permanecem inspiradores e ligam nossos sentimentos ao Divino Salvador.
Impera hoje um revisionismo míope, que tenta encontrar em todo hino uma ligação com a música secular de sua própria época. Desconfio que seja uma estratégia para amparar a prática contemporânea de veicular letra religiosa com canções pops. Nesse sentido, Lutero acaba sendo a maior vítima de infâmia: sujam seu nome, acusando-o de, em nome da expansão da Reforma Protestante, adaptar música de taverna para ser cantada nas igrejas.
Como Lutero, pobre reformador, não está aqui para se defender (sorte dos detratores, porque o gênio do reformador alemão era excessivamente apimentado!), vale suscitar alguns fatos para desfazer esse desatino: dos 33 hinos atribuídos a Lutero, alguns eram composições originais, outros, adaptações do cantochão (o canto gregoriano, tradição antiga, condensada e oficializada pela Igreja Católica) e apenas um proveniente dos meios populares. Vale dizer que Lutero modificou sensivelmente a melodia conhecida, adaptando seu andamento, inclusive.
Além do “caso Lutero”, há diversos exemplos de melodias adaptadas de canções folclóricas (como o hino “Lindo País”, HA 571, que possui versões seculares e religiosas) e cívicas (“Vencendo vem Jesus”, HA 152). Dizem que, se formos excluir o que provê da música secular, poucos hinos restariam no hinário.
A tese, encomendada para justificar a simbiose atual entre música popular e letra religiosa, cai diante das seguintes considerações: (1) Em séculos passados, a variedade musical era pouca, fazendo com detalhes sutis, como andamento, harmonização e letra diferissem o sacro do secular; (2) Muitos dos hinos do hinário foram compostos por cristãos comprometidos, que, ou se dedicavam à tarefa (como Fanny Jane Crosby, Philip Paul Bliss, etc) ou provinham de acentuada experiência espiritual vivida por seu autor, sendo que eram prontamente testados e, uma vez aprovados, utilizados para fins congregacionais; (3) do ponto da filosofia musical, a mensagem da letra possui encaixe perfeito com as melodias, que reforçam a mensagem cristã e, por sua suavidade, simplicidade e solenidade transmitem valores religiosos inegáveis, havendo perdurado por diversas gerações.
Ainda assim, corremos o risco de substituir pérolas cristãs por coisa inferior, oriunda da mentalidade atual, cujo paradigma parece ser o da “obsolescência programada”: os “hinos” agora chegam em coletâneas divididas por anos, já indicando que possuem prazo de validade. O padrão? Seguir algumas fórmulas de sucesso: melodias pobres (facilmente assimiláveis e sem muita elaboração), muita repetição, modulações constantes, tonalidades altas (para o padrão congregacional, o que favorece o canto “gritado”), síncopes, dissonâncias mal resolvidas, percussão em destaque e letras que abusam de metáforas românticas ou da metalinguagem (músicas de adoração que falam sobre adoração).



Se pensarmos, há hinos contemporâneos belos e poderosos; desconfio, no entanto, que a polarização entre velho e novo é parte da apologia de alguns músicos para defender novos paradigmas. Todavia, deixemos claro: precisamos de novos compositores, que trabalhem criativamente a partir do legado, renovando o espírito dos hinos, trazendo composições novas e pertinentes, embelezando o repertório acumulado por séculos de produções inspiradoras. Renovar não é inovação descabida ou mundanismo travestido! Ou resgatamos os hinos e seu legado, ou toda uma geração de crentes ficará confinada a oferecer a Deus fogo estranho.

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E os hinos necessitam de convivência para serem conhecidos e, sobretudo admirados. Surgidos, em sua maioria, naqueles séculos anteriores aos meios de comunicação em massa, eram testados, publicados em coetâneas e apenas depois se popularizavam. A riqueza que trazem não se resume à sua poesia enxuta, direta e bela, ou às melodias simples que a encerram; são testemunhos vivos da fé de gerações passadas.
Ninguém publicava hinos para atender demandas comerciais ou pedidos de gravadoras. Não acho que o Sr. Spafford compôs It Is Well With My Soul (“Sou feliz com Jesus”, HA 230) pensando fazer sucesso nas igrejas inglesas, nas quais seu amigo Moody pregava sempre. Wayne Hooper mesmo testemunha que, ao compor o hino We have this hope (“Oh, que esperança”, HA 469), sentiu melodia e letra fluírem de sua mente, de forma como nunca experimentara antes. Não que os hinos sejam inspirados – apenas a Bíblia o é. Porém, imperfeitos como são, eles permanecem inspiradores e ligam nossos sentimentos ao Divino Salvador.
Impera hoje um revisionismo míope, que tenta encontrar em todo hino uma ligação com a música secular de sua própria época. Desconfio que seja uma estratégia para amparar a prática contemporânea de veicular letra religiosa com canções pops. Nesse sentido, Lutero acaba sendo a maior vítima de infâmia: sujam seu nome, acusando-o de, em nome da expansão da Reforma Protestante, adaptar música de taverna para ser cantada nas igrejas.
Como Lutero, pobre reformador, não está aqui para se defender (sorte dos detratores, porque o gênio do reformador alemão era excessivamente apimentado!), vale suscitar alguns fatos para desfazer esse desatino: dos 33 hinos atribuídos a Lutero, alguns eram composições originais, outros, adaptações do cantochão (o canto gregoriano, tradição antiga, condensada e oficializada pela Igreja Católica) e apenas um proveniente dos meios populares. Vale dizer que Lutero modificou sensivelmente a melodia conhecida, adaptando seu andamento, inclusive.
Além do “caso Lutero”, há diversos exemplos de melodias adaptadas de canções folclóricas (como o hino “Lindo País”, HA 571, que possui versões seculares e religiosas) e cívicas (“Vencendo vem Jesus”, HA 152). Dizem que, se formos excluir o que provê da música secular, poucos hinos restariam no hinário.
A tese, encomendada para justificar a simbiose atual entre música popular e letra religiosa, cai diante das seguintes considerações: (1) Em séculos passados, a variedade musical era pouca, fazendo com detalhes sutis, como andamento, harmonização e letra diferissem o sacro do secular; (2) Muitos dos hinos do hinário foram compostos por cristãos comprometidos, que, ou se dedicavam à tarefa (como Fanny Jane Crosby, Philip Paul Bliss, etc) ou provinham de acentuada experiência espiritual vivida por seu autor, sendo que eram prontamente testados e, uma vez aprovados, utilizados para fins congregacionais; (3) do ponto da filosofia musical, a mensagem da letra possui encaixe perfeito com as melodias, que reforçam a mensagem cristã e, por sua suavidade, simplicidade e solenidade transmitem valores religiosos inegáveis, havendo perdurado por diversas gerações.
Ainda assim, corremos o risco de substituir pérolas cristãs por coisa inferior, oriunda da mentalidade atual, cujo paradigma parece ser o da “obsolescência programada”: os “hinos” agora chegam em coletâneas divididas por anos, já indicando que possuem prazo de validade. O padrão? Seguir algumas fórmulas de sucesso: melodias pobres (facilmente assimiláveis e sem muita elaboração), muita repetição, modulações constantes, tonalidades altas (para o padrão congregacional, o que favorece o canto “gritado”), síncopes, dissonâncias mal resolvidas, percussão em destaque e letras que abusam de metáforas românticas ou da metalinguagem (músicas de adoração que falam sobre adoração).



Se pensarmos, há hinos contemporâneos belos e poderosos; desconfio, no entanto, que a polarização entre velho e novo é parte da apologia de alguns músicos para defender novos paradigmas. Todavia, deixemos claro: precisamos de novos compositores, que trabalhem criativamente a partir do legado, renovando o espírito dos hinos, trazendo composições novas e pertinentes, embelezando o repertório acumulado por séculos de produções inspiradoras. Renovar não é inovação descabida ou mundanismo travestido! Ou resgatamos os hinos e seu legado, ou toda uma geração de crentes ficará confinada a oferecer a Deus fogo estranho.

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Naquela tarde, começávamos um culto na sala dos professores, com alguns de nós acomodados em um dos três sofás disponíveis, em frente à televisão, que exibia o hino escolhido. Uma professora, recém-convertida, chegou ao término da primeira estrofe e não conteve o comentário: “O pastor sempre escolhe essas músicas”. Não julguei que devesse me importar ou remoer qualquer aborrecimento diante daquela fala espontânea. Refletindo no episódio, só posso ver com naturalidade que alguns adventistas estranhem os velhos hinos, com os quais nunca conviveram.
E os hinos necessitam de convivência para serem conhecidos e, sobretudo admirados. Surgidos, em sua maioria, naqueles séculos anteriores aos meios de comunicação em massa, eram testados, publicados em coetâneas e apenas depois se popularizavam. A riqueza que trazem não se resume à sua poesia enxuta, direta e bela, ou às melodias simples que a encerram; são testemunhos vivos da fé de gerações passadas.
Ninguém publicava hinos para atender demandas comerciais ou pedidos de gravadoras. Não acho que o Sr. Spafford compôs It Is Well With My Soul (“Sou feliz com Jesus”, HA 230) pensando fazer sucesso nas igrejas inglesas, nas quais seu amigo Moody pregava sempre. Wayne Hooper mesmo testemunha que, ao compor o hino We have this hope (“Oh, que esperança”, HA 469), sentiu melodia e letra fluírem de sua mente, de forma como nunca experimentara antes. Não que os hinos sejam inspirados – apenas a Bíblia o é. Porém, imperfeitos como são, eles permanecem inspiradores e ligam nossos sentimentos ao Divino Salvador.
Impera hoje um revisionismo míope, que tenta encontrar em todo hino uma ligação com a música secular de sua própria época. Desconfio que seja uma estratégia para amparar a prática contemporânea de veicular letra religiosa com canções pops. Nesse sentido, Lutero acaba sendo a maior vítima de infâmia: sujam seu nome, acusando-o de, em nome da expansão da Reforma Protestante, adaptar música de taverna para ser cantada nas igrejas.
Como Lutero, pobre reformador, não está aqui para se defender (sorte dos detratores, porque o gênio do reformador alemão era excessivamente apimentado!), vale suscitar alguns fatos para desfazer esse desatino: dos 33 hinos atribuídos a Lutero, alguns eram composições originais, outros, adaptações do cantochão (o canto gregoriano, tradição antiga, condensada e oficializada pela Igreja Católica) e apenas um proveniente dos meios populares. Vale dizer que Lutero modificou sensivelmente a melodia conhecida, adaptando seu andamento, inclusive.
Além do “caso Lutero”, há diversos exemplos de melodias adaptadas de canções folclóricas (como o hino “Lindo País”, HA 571, que possui versões seculares e religiosas) e cívicas (“Vencendo vem Jesus”, HA 152). Dizem que, se formos excluir o que provê da música secular, poucos hinos restariam no hinário.
A tese, encomendada para justificar a simbiose atual entre música popular e letra religiosa, cai diante das seguintes considerações: (1) Em séculos passados, a variedade musical era pouca, fazendo com detalhes sutis, como andamento, harmonização e letra diferissem o sacro do secular; (2) Muitos dos hinos do hinário foram compostos por cristãos comprometidos, que, ou se dedicavam à tarefa (como Fanny Jane Crosby, Philip Paul Bliss, etc) ou provinham de acentuada experiência espiritual vivida por seu autor, sendo que eram prontamente testados e, uma vez aprovados, utilizados para fins congregacionais; (3) do ponto da filosofia musical, a mensagem da letra possui encaixe perfeito com as melodias, que reforçam a mensagem cristã e, por sua suavidade, simplicidade e solenidade transmitem valores religiosos inegáveis, havendo perdurado por diversas gerações.
Ainda assim, corremos o risco de substituir pérolas cristãs por coisa inferior, oriunda da mentalidade atual, cujo paradigma parece ser o da “obsolescência programada”: os “hinos” agora chegam em coletâneas divididas por anos, já indicando que possuem prazo de validade. O padrão? Seguir algumas fórmulas de sucesso: melodias pobres (facilmente assimiláveis e sem muita elaboração), muita repetição, modulações constantes, tonalidades altas (para o padrão congregacional, o que favorece o canto “gritado”), síncopes, dissonâncias mal resolvidas, percussão em destaque e letras que abusam de metáforas românticas ou da metalinguagem (músicas de adoração que falam sobre adoração).



Se pensarmos, há hinos contemporâneos belos e poderosos; desconfio, no entanto, que a polarização entre velho e novo é parte da apologia de alguns músicos para defender novos paradigmas. Todavia, deixemos claro: precisamos de novos compositores, que trabalhem criativamente a partir do legado, renovando o espírito dos hinos, trazendo composições novas e pertinentes, embelezando o repertório acumulado por séculos de produções inspiradoras. Renovar não é inovação descabida ou mundanismo travestido! Ou resgatamos os hinos e seu legado, ou toda uma geração de crentes ficará confinada a oferecer a Deus fogo estranho.

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Naquela tarde, começávamos um culto na sala dos professores, com alguns de nós acomodados em um dos três sofás disponíveis, em frente à televisão, que exibia o hino escolhido. Uma professora, recém-convertida, chegou ao término da primeira estrofe e não conteve o comentário: “O pastor sempre escolhe essas músicas”. Não julguei que devesse me importar ou remoer qualquer aborrecimento diante daquela fala espontânea. Refletindo no episódio, só posso ver com naturalidade que alguns adventistas estranhem os velhos hinos, com os quais nunca conviveram.
E os hinos necessitam de convivência para serem conhecidos e, sobretudo admirados. Surgidos, em sua maioria, naqueles séculos anteriores aos meios de comunicação em massa, eram testados, publicados em coetâneas e apenas depois se popularizavam. A riqueza que trazem não se resume à sua poesia enxuta, direta e bela, ou às melodias simples que a encerram; são testemunhos vivos da fé de gerações passadas.
Ninguém publicava hinos para atender demandas comerciais ou pedidos de gravadoras. Não acho que o Sr. Spafford compôs It Is Well With My Soul (“Sou feliz com Jesus”, HA 230) pensando fazer sucesso nas igrejas inglesas, nas quais seu amigo Moody pregava sempre. Wayne Hooper mesmo testemunha que, ao compor o hino We have this hope (“Oh, que esperança”, HA 469), sentiu melodia e letra fluírem de sua mente, de forma como nunca experimentara antes. Não que os hinos sejam inspirados – apenas a Bíblia o é. Porém, imperfeitos como são, eles permanecem inspiradores e ligam nossos sentimentos ao Divino Salvador.
Impera hoje um revisionismo míope, que tenta encontrar em todo hino uma ligação com a música secular de sua própria época. Desconfio que seja uma estratégia para amparar a prática contemporânea de veicular letra religiosa com canções pops. Nesse sentido, Lutero acaba sendo a maior vítima de infâmia: sujam seu nome, acusando-o de, em nome da expansão da Reforma Protestante, adaptar música de taverna para ser cantada nas igrejas.
Como Lutero, pobre reformador, não está aqui para se defender (sorte dos detratores, porque o gênio do reformador alemão era excessivamente apimentado!), vale suscitar alguns fatos para desfazer esse desatino: dos 33 hinos atribuídos a Lutero, alguns eram composições originais, outros, adaptações do cantochão (o canto gregoriano, tradição antiga, condensada e oficializada pela Igreja Católica) e apenas um proveniente dos meios populares. Vale dizer que Lutero modificou sensivelmente a melodia conhecida, adaptando seu andamento, inclusive.
Além do “caso Lutero”, há diversos exemplos de melodias adaptadas de canções folclóricas (como o hino “Lindo País”, HA 571, que possui versões seculares e religiosas) e cívicas (“Vencendo vem Jesus”, HA 152). Dizem que, se formos excluir o que provê da música secular, poucos hinos restariam no hinário.
A tese, encomendada para justificar a simbiose atual entre música popular e letra religiosa, cai diante das seguintes considerações: (1) Em séculos passados, a variedade musical era pouca, fazendo com detalhes sutis, como andamento, harmonização e letra diferissem o sacro do secular; (2) Muitos dos hinos do hinário foram compostos por cristãos comprometidos, que, ou se dedicavam à tarefa (como Fanny Jane Crosby, Philip Paul Bliss, etc) ou provinham de acentuada experiência espiritual vivida por seu autor, sendo que eram prontamente testados e, uma vez aprovados, utilizados para fins congregacionais; (3) do ponto da filosofia musical, a mensagem da letra possui encaixe perfeito com as melodias, que reforçam a mensagem cristã e, por sua suavidade, simplicidade e solenidade transmitem valores religiosos inegáveis, havendo perdurado por diversas gerações.
Ainda assim, corremos o risco de substituir pérolas cristãs por coisa inferior, oriunda da mentalidade atual, cujo paradigma parece ser o da “obsolescência programada”: os “hinos” agora chegam em coletâneas divididas por anos, já indicando que possuem prazo de validade. O padrão? Seguir algumas fórmulas de sucesso: melodias pobres (facilmente assimiláveis e sem muita elaboração), muita repetição, modulações constantes, tonalidades altas (para o padrão congregacional, o que favorece o canto “gritado”), síncopes, dissonâncias mal resolvidas, percussão em destaque e letras que abusam de metáforas românticas ou da metalinguagem (músicas de adoração que falam sobre adoração).



Se pensarmos, há hinos contemporâneos belos e poderosos; desconfio, no entanto, que a polarização entre velho e novo é parte da apologia de alguns músicos para defender novos paradigmas. Todavia, deixemos claro: precisamos de novos compositores, que trabalhem criativamente a partir do legado, renovando o espírito dos hinos, trazendo composições novas e pertinentes, embelezando o repertório acumulado por séculos de produções inspiradoras. Renovar não é inovação descabida ou mundanismo travestido! Ou resgatamos os hinos e seu legado, ou toda uma geração de crentes ficará confinada a oferecer a Deus fogo estranho.

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E os hinos necessitam de convivência para serem conhecidos e, sobretudo admirados. Surgidos, em sua maioria, naqueles séculos anteriores aos meios de comunicação em massa, eram testados, publicados em coetâneas e apenas depois se popularizavam. A riqueza que trazem não se resume à sua poesia enxuta, direta e bela, ou às melodias simples que a encerram; são testemunhos vivos da fé de gerações passadas.
Ninguém publicava hinos para atender demandas comerciais ou pedidos de gravadoras. Não acho que o Sr. Spafford compôs It Is Well With My Soul (“Sou feliz com Jesus”, HA 230) pensando fazer sucesso nas igrejas inglesas, nas quais seu amigo Moody pregava sempre. Wayne Hooper mesmo testemunha que, ao compor o hino We have this hope (“Oh, que esperança”, HA 469), sentiu melodia e letra fluírem de sua mente, de forma como nunca experimentara antes. Não que os hinos sejam inspirados – apenas a Bíblia o é. Porém, imperfeitos como são, eles permanecem inspiradores e ligam nossos sentimentos ao Divino Salvador.
Impera hoje um revisionismo míope, que tenta encontrar em todo hino uma ligação com a música secular de sua própria época. Desconfio que seja uma estratégia para amparar a prática contemporânea de veicular letra religiosa com canções pops. Nesse sentido, Lutero acaba sendo a maior vítima de infâmia: sujam seu nome, acusando-o de, em nome da expansão da Reforma Protestante, adaptar música de taverna para ser cantada nas igrejas.
Como Lutero, pobre reformador, não está aqui para se defender (sorte dos detratores, porque o gênio do reformador alemão era excessivamente apimentado!), vale suscitar alguns fatos para desfazer esse desatino: dos 33 hinos atribuídos a Lutero, alguns eram composições originais, outros, adaptações do cantochão (o canto gregoriano, tradição antiga, condensada e oficializada pela Igreja Católica) e apenas um proveniente dos meios populares. Vale dizer que Lutero modificou sensivelmente a melodia conhecida, adaptando seu andamento, inclusive.
Além do “caso Lutero”, há diversos exemplos de melodias adaptadas de canções folclóricas (como o hino “Lindo País”, HA 571, que possui versões seculares e religiosas) e cívicas (“Vencendo vem Jesus”, HA 152). Dizem que, se formos excluir o que provê da música secular, poucos hinos restariam no hinário.
A tese, encomendada para justificar a simbiose atual entre música popular e letra religiosa, cai diante das seguintes considerações: (1) Em séculos passados, a variedade musical era pouca, fazendo com detalhes sutis, como andamento, harmonização e letra diferissem o sacro do secular; (2) Muitos dos hinos do hinário foram compostos por cristãos comprometidos, que, ou se dedicavam à tarefa (como Fanny Jane Crosby, Philip Paul Bliss, etc) ou provinham de acentuada experiência espiritual vivida por seu autor, sendo que eram prontamente testados e, uma vez aprovados, utilizados para fins congregacionais; (3) do ponto da filosofia musical, a mensagem da letra possui encaixe perfeito com as melodias, que reforçam a mensagem cristã e, por sua suavidade, simplicidade e solenidade transmitem valores religiosos inegáveis, havendo perdurado por diversas gerações.
Ainda assim, corremos o risco de substituir pérolas cristãs por coisa inferior, oriunda da mentalidade atual, cujo paradigma parece ser o da “obsolescência programada”: os “hinos” agora chegam em coletâneas divididas por anos, já indicando que possuem prazo de validade. O padrão? Seguir algumas fórmulas de sucesso: melodias pobres (facilmente assimiláveis e sem muita elaboração), muita repetição, modulações constantes, tonalidades altas (para o padrão congregacional, o que favorece o canto “gritado”), síncopes, dissonâncias mal resolvidas, percussão em destaque e letras que abusam de metáforas românticas ou da metalinguagem (músicas de adoração que falam sobre adoração).



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